God of War leva o PS4 a um novo patamar

“Cara!!!!! Que bagulho louco é esse???!!!”

Essa foi a reação mais comum das pessoas quando, durante sua conferência na E3 em 2016, a Sony revelou para o mundo o novo God of War. E era justificada: apesar de todos reconhecerem que estavam vendo o mesmo Kratos que conheciam – com barba e algumas rugas a mais, mas com a mesma violência de sempre – todo o resto parecia novo. Diferente. E “novo e diferente” são duas palavras que simplesmente não se aplicavam a franquia, que vinha até então apenas copiando a mesma fórmula criada com o primeiro jogo, lançado em 2005 para o PS2.

Em hiato desde 2013 (ano de lançamento de GoW Ascension), a SCE Santa Monica parecia disposta a provar que tinha aprendido muitas coisas desde o lançamento do último jogo da franquia para o PS3 (e que também era considerado tanto pela crítica quanto pelo público o pior de todos os God of War já lançados): a HUD cheia de elementos, o número de orbes vermelhos e azuis voando pela tela e a câmera isométrica – todos elementos que aproximavam o jogo de clássicos como Diablo – foram jogados fora, trocados por uma perspectiva mais focada e intimista de uma tela de jogo mais “limpa”, uma câmera de “ombro”, mais próxima do personagem, e uma batalha que exige uma estratégia mais complexa do que ficar apenas apertando o quadrado até que todos os inimigos da tela estejam mortos. As lâminas do caos são trocadas por um machado. As batalhas rápidas típicas de hack and slash são trocadas por lutas mais estratégicas típicas de um RPG. Depois de quase uma década demonstrando ser uma melhoria dos jogos estilo Diablo, a SCE Santa Monica mostrou que estava atenta às mudanças dos tempos e está pronta para apresentar o novo God of War como uma melhoria não só do estilo Dark Souls mas também de um dos jogos de maior sucesso da história do Playstation: The Last of Us.

Quanto mais do jogo foi revelado com o passar dos anos, mais fica claro a influência que The Last of Us, lançado pela Naughty Dog em junho de 2013 (apenas 3 meses depois de Ascension), teve sobre o novo God of War. Fica nítido que a SCE Santa Monica manteve a base do que é um God of War – a luta do homem contra os deuses e a violência que sempre foi marca registrada da série – e a usou para aproximar seu jogo daquele que é considerado como um dos melhores jogos da história. Ainda é possível ver toda a violência que fez de God of War uma das franquias de maior sucesso da história dos videogames, mas as comparações com The Last of Us são bem claras: primeiro, Kratos não é mais um herói solitário. Ele agora conta com a ajuda de Atreus, filho pré-adolescente do herói, que deverá trazer aos combates o mesmo tipo de dinâmica existente entre Joel e Ellie em The Last of Us. E assim como Ellie, apesar de ajudar em combate, o papel principal de Atreus será no andamento da narrativa – que, ao contrário dos antigos jogos da série, está muito mais complexa. Ao invés de uma história de vingança pura e simples, o novo God of War terá uma história de aceitação e reparação, onde um Kratos mais velho e mais sábio precisa ensinar ao filho a responsabilidade que, como semideus, ele tem para com o mundo e como controlar a raiva que borbulha dentro de si é importante – principalmente para que ele não cometa os mesmos erros que o pai.

Desistir de tudo aquilo que construiu para que se possa evoluir é uma aposta arriscada – e, por tudo que o nos está sendo mostrado sobre o novo God of War, foi uma aposta incrivelmente acertada pela SCE Santa Monica. God of War é uma transformação de tudo aquilo que a franquia mostrou até aqui, e deverá agradar tantos os fãs mais antigos que gostavam da violência gratuita da série quanto uma nova geração de fãs que buscam uma narrativa mais profunda, com um forte drama humano. God of War para o PS4 tem o mesmo potencial de colocar o console um patamar acima dos demais que The Last of Us teve para o PS3, e a história dirá se essa afirmação será verdadeira.

Minha aposta é pelo sim.